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Grupo G – Agroflorestais

 

Os Agentes Agroflorestais Indígenas e o trabalho de   gestão ambiental das terras Indígenas e seu entorno.

 

Nós, Agentes Agroflorestais das três Terras Indígenas Kaxinawá do Rio Jordão, Baixo Rio Jordão e Seringal Independência estamos trabalhando na gestão ambiental de nossos territórios desde o ano de 1996. Neste ano, teve início um novo movimento, uma nova categoria social no estado do Acre, baseando-nos no conhecimento de manejo tradicional da floresta somado com a informação técnica dos sistemas agroflorestais e silvicultura.

O início de nossa luta foi para sair do tempo do cativeiro e para a conquista de nossos territórios. Agora que temos uma grande parte de nossas terras regularizadas, a grande luta nesse novo século é para a gestão ambiental dos nossos territórios e essa gestão cabe a nós fazermos. Para isso estamos sendo formados e assessorados pelos nossos companheiros de luta. Hoje uma das grandes lutas do movimento é o reconhecimento profissional de nossa categoria como gestores ambientais. Estamos prestando um serviço direto às nossas comunidades, mas estamos também prestando um serviço ao próprio município, ao estado e ao nosso Brasil.

Esse documento que estamos entregando em suas mãos, Governador Jorge Viana, é para que o senhor procure compreender melhor quem nós somos; o que estamos fazendo e o que nós estamos querendo fazer. Nesse novo tempo, onde os problemas ambientais estão a cada dia mais sérios, e poucas pessoas e instituições conseguem dar uma solução para tanta destruição do meio ambiente, nossa categoria social vem lutando de maneira pequena, mas com muita força, na proteção do meio ambiente de nossos territórios e de nossas florestas.

A gestão ambiental de nossas terras e entorno é um trabalho árduo, sério e temos   um grande caminho pela frente. Estamos trabalhando com plano de uso e de manejo dos nossos recursos naturais, implantando sistemas agroflorestais em todas as nossas comunidades, recuperando solos degradados, melhorando a nossa produção, discutindo com a comunidade o problema do lixo, trabalhando nas salas de aulas junto aos nossos alunos, procurando novas alternativas econômicas. Nosso trabalho também consiste na conscientização de nossa comunidade e das pessoas que vivem no nosso entorno. Para podermos trabalhar na gestão ambiental, temos que proteger nossas terras dos invasores e estamos realizando a vigilância e fiscalização de nossos territórios, pois como o senhor já deve saber, sempre estamos sofrendo as invasões para roubar os nossos recursos naturais e florestais.

O reconhecimento profissional de nossa categoria como gestor ambiental é muito importante para o fortalecimento do nosso trabalho. Também dá a possibilidade de nós mesmos, os próprios índios, realizarmos essas atividades em nossa terra com mais segurança, além de termos como qualquer cidadão brasileiro a segurança de um trabalho profissional reconhecido e remunerado pelo Estado. Hoje, no Brasil, até os “gandulas” estão se organizado para que reconheçam a sua profissão no Senado. Então, porque nós, que estamos fazendo um trabalho beneficiando tantas pessoas e a própria floresta e os recursos naturais na Amazônia, não podemos ter a nossa profissão reconhecida, como qualquer profissional que vem prestando serviço a sua comunidade, como um professor, um agente de saúde também conquistou?

A nossa Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre, AMAAI/AC está fazendo contato com alguns parlamentares do estado para que nos ajudem nessa grande luta do reconhecimento de nossa profissão. E, para isso precisamos procurar nossos verdadeiros amigos e aliados para termos força de conseguir nossa reivindicação. O reconhecimento de uma nova categoria profissional no Brasil depende da aprovação do Senado.   Quando a nossa senadora Marina estava em campanha eleitoral, nos fez uma visita no Centro de Formação e disse que iria nos ajudar, mas agora ela virou   Ministra e já perdemos o contato e o apoio dela como parlamentar.

Seria muito importante que os nossos governos entendessem da importância dessa profissão para que os povos indígenas do Brasil consigam num futuro sua tão sonhada autonomia. Contando novamente com o seu apoio e compromisso com os povos indígenas do Acre, o Movimento dos Agentes Agroflorestais Kaxinawá do município do Jordão agradece.

Grupo G - Agentes Agroflorestais

Benfeitoria

Custo unitário (em reais)

Custo total (em reais)

20 bocas de lobo

30

600

17 carrinhos de mão

50

850

17 regadores

20

340

4 lixadeiras elétricas

para marcenaria

450

1.800

1 gerador

600

600

1 bateria

250

250

5 walk talk

250

1.250

5 motores 12 HP

3.000

15.000

5 canoas 800 KG

800

4.000

5 conjuntos de chave

50

250

62 litros óleo lubrificante

6

432

40 palhetas

15

600

1.600 litros de diesel

2

3.200

TOTAL

 

29. 172

*TOTAL GERAL

 

OBS. Somando-se o total de cada programa

661. 796