The Kaxinawá

The Kaxinawá people or Huni Kuin (true people) as they call themselves, lives in the tropical forest, in areas situated in Brazil and Peru. In Brazil, their territory is in the State of Acre, in the regions of the valleys of the Purus and Juruá rivers. In Peru their territory is located by the river Curanja.

The Kaxinawá communities in the State of the Acre are located in 12 aboriginal lands, of which three are shared with the Ashaninka, the Shanenawá and the Madijá. The lands cover an area of 633.213 hectare where the beautiful Amazon forest still totally preserved.

With a population of approximately 6000 people, the Kaxinawá make up 42% of the aboriginal population of Acre. Their language belongs to the linguistic family Pano, that they call hatxa-kuin (true language). The richness of the language also manifests itself in their musical diversity.

The Kaxinawá possess a vast art and material culture mainly consisting of weaving cotton with natural colours, and ceramic art with images of animals and special trees. Their artwork is marked with the Kene (drawings of the snake), a kind of brand that identifies their culture. The meanings of these sacred patterns are related to spiritual forces of the forest, and qualities such as courage, force, power and wisdom.

The traditional Kaxinawá society has a social organization that revolves around groups of extensive families with prominence on two figures: the leadership and the pajé (shaman). The leadership has the “political” power to gather the community around the interest of the collective. The pajé has the spiritual power to cure, to do and to undo witchcraft; the magic-religious power. He is the middleman between this and the other side of reality.

Although pajés (shamans) has been one of the most persecuted figures of the indigenous societies during the settling of the Amazon, the Kaxinawá society still keep them as a significant element of its culture. The conquerors knew they had to extinguish the magic-religious and political power of the aboriginal societies to weaken their social organization. However, the Kaxinawá resisted. Even while living under unfavourable conditions with the invading society, and being victims of slaughter, captivity, discrimination and preconceptions, they keep essential aspects of their traditions alive. They celebrate rituals, myths and dances, such as:  

Katxa Nawa - Celebration of harvest and fertility,

Txirin - Ceremony of the royal Hawk,

Nixi Pae - Sacred spiritual brew, also known as Ayahuasca or Yagé.

The medicine of the forest and its medicinal herbs and plants play a major role in their culture.

In the Kaxinawá culture, the shaman propitiates and makes the connection of the people with Yuxin, the force of nature and the supernatural and nonhuman. Through the knowledge of the pajé the spiritual side of reality is established and connects the Kaxinawá with the vital force that surrounds all living phenomenon on Earth, in the Waters and the Skies, and in Cosmos.

The Huni Kuin know their science of the forest, the rivers, the plants, bushes and animals through the Nixi Pae (Ayahuasca). In the ceremonies led by the shaman, the sacred drink gives the paths to follow, teaches, guides, and clarifies. It has the power of the White Jibóia (sacred snake), the enchanted being that revealed the secrets of the brew and which is invoked in the rituals. The sacred chants that are still chanted today go back thousands of years to the mythological era of the Nixi Pae origin. These chants are the main line that guides the spirit in the journey with the entheogenic brew.

please visite www.hunikuin.com for more information

Português

O povo Kaxinawá ou Huni Kuin (gente verdadeira) como eles se denominam, vive em terras situadas no Brasil e no Peru. No Brasil, o território do povo Kaxinawá localiza-se no Estado do Acre, nas regiões dos Vales do Purus e Juruá, enquanto que no Peru seu território está localizado a partir do rio Curanja. As comunidades Kaxinawá, no Estado do Acre, estão localizadas em 11 terras indígenas, das quais três são compartilhadas com os Ashaninka, os Shanenawá e os Madijá; distribuídas por cinco municípios corres-pondendo a uma área de 633.213 ha. Com uma população de aproximadamente 3.964 pessoas, perfazem um percentual de 42% da população indígena do Acre, ou seja, é o povo de maior contingente populacional do Estado. Sua língua pertence à família lingüística Pano, que eles chamam de hatxa-kuin (língua verdadeira), cuja riqueza manifesta-se inclusive pela diversidade musical.
Para os Kaxinawá a terra é de uso coletivo; as famílias, chefiadas pelos homens fazem seus roçados, utilizando os espaços disponíveis para o plantio de forma que toda a comunidade possa utilizá-los. Os trabalhos na aldeia são divididos por sexo e por idade. Há atividades realizadas somente por mulheres, outras exclusivamente por homens, algumas reservadas para os mais jovens, mas há também trabalhos que podem ser realizados por qualquer pessoa da comunidade, de ambos os sexos e de qualquer faixa etária.
Os Kaxinawá possuem uma vasta cultura material que vai desde a tecelagem em algodão, com tingimento natural, até a cerâmica feita em argila com cinzas obtidas de animais, árvores e ainda cacos de outras cerâmicas, onde são impressos os kenê (desenhos da cobra), uma espécie de marca que identifica a cultura material dos Kaxinawá, cujo significado está relacionado à coragem, força, poder e sabedoria. O artesanato se configura como uma das principais fontes de renda das famílias Kaxinawá, devido ao seu belo design tem uma grande aceitação no mercado regional e até mesmo nacional.

Na sociedade Kaxinawá, tradicionalmente, há uma organização social que gira em torno de grupos de famílias extensas, com destaque a duas figuras: a liderança e o pajé. A liderança porque tem um poder político de arregimentar a comunidade em torno dos interesse da coletividade, e o pajé porque tem o poder espiritual, da cura, de fazer e desfazer feitiços, o poder mágico-religioso.
Embora os pajés tenham sido uma das figuras mais atingidas das sociedades indígenas durante o processo de colonização da Amazônia, a sociedade Kaxinawá ainda os mantém como elemento significativo em sua cultura. Os colonizadores sabiam que extinguindo o poder mágico-religioso e político das sociedades indígenas, minava-se a base da organização social das populações nativas. Todavia, os Kaxinawá resistiram. Mesmo vivendo em uma correlação desfavorável de forças com a sociedade envolvente, sendo vítimas de discriminação e preconceitos, ainda assim mantêm vivos aspectos essenciais de suas tradições, como por exemplo, o ritual xamânico. Na cultura Kaxi-nawá, o xamanismo, propicia a ligação das pessoas com o yuxin, que está fora da natureza e fora do humano, é o sobrenatural e o sobre-humano. Através dos poderes do pajé, que vão desde conhecimentos para curar doenças até o contato com o lado espiritual da realidade se estabelece a ligação dos Kaxinawá com a força vital que permeia todos os fenômenos vivos na terra, nas águas e nos céus e que baliza sua cosmovisão.

Além de manter viva sua identidade cultural, os Kaxinawá, através de suas entidades representativas conseguem equilibrar suas relações com a sociedade envolvente. Tanto os do Vale do Juruá, quanto os do Purus possuem associações, que viabilizam projetos que vão desde a produção agrícola, importante para a subsistência das comunidades, até atividades de educação escolar, fundamentais, na medida em que proporcionam o letramento, um importante instrumento de resistência que permite às comunidades indígenas ler os códigos da sociedade envolvente, além de viabilizar um resgate e revitalização cultural.
Dentre as organizações indígenas há, por exemplo, a ASKARJ (Associação dos Seringueiros Kaxinawás do Rio Jordão) ou a APAMINKTAJ (Associação das Produtoras de Artesanato das Mulheres Trabalhadoras de Tarauacá e Jordão), atuando no interesse das comunidades Kaxinawá. Por meio de associações como essas são firmadas parcerias com organizações não-governamentais indígenas e não-indígenas, tais como a CPI/AC (Comissão Pró índio do Acre), com projetos na área educacional ou a UNI (União das Nações Indígenas) que no ano de 2001 realizou o 1º Encontro das Artesãs Indígenas do Acre e sul do Amazonas. Outras entidades, como a OXFAM/Inglaterra ou a WWF, viabilizaram projetos no intuito de garantir a utilização racional e preservação de recursos naturais existentes nos territórios indígenas. Outras instituições têm firmado parcerias com o povo Kaxinawá, com destaque para ações na área de produção extrativista, como o BASA (Banco da Amazônia) ou o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social). Há também entre os Kaxinawá e os demais povos a presença da União através da FUNAI (Fundação Nacional do Índio) que concentra seus esforços em processos de identificação e demarcação das terras indígenas.
Os povos indígenas, e nesse caso os Kaxinawá, vivem um constante confronto entre as suas tradições e as imposições da sociedade envol-vente; do mundo urbano, ou civilizado, como alguns etnocentristas denominariam, e a realidade dos homens que vivem na floresta e dela tiram seu sustento. Nesse contexto de disputas que perpassam a questão agrária, indo até a cultura desses povos, é que se organizam as lutas pelo respeito ao direito de ser o que se é. O direito de ter direito a ser índio. Os povos da floresta mantêm suas tradições, suas crenças, suas culturas vivas dentro de si, mostrando uma força que nem os mais de 400 anos de colonização e massacre amazônicos foram capazes de romper, fazendo ver e crer que é a partir da afirmação de sua identidade indígena que terão seus direitos e seus anseios assegurados.


visite www.hunikuin.com para mais informação